Chefs reforçam a importância da cozinha caipira de São Paulo em preparos elaborados

Feira Gosto.Sa celebra a cozinha caipira

No final de setembro, a 7ª edição da Feira Gosto.Sa, realizada no Unibes Cultural em São Paulo, destacou a importância da cozinha caipira. O evento contou com mais de 60 expositores que apresentaram o que há de melhor na culinária caipira paulista. Entre as delícias disponíveis, estavam os bolinhos de quirera do Bar Sardosa, os pastéis de angu do Celeiro Arimbá e as broas de fubá do café Quente da Boca. Heloísa Bacellar, uma das chefs do evento, conduziu uma oficina de paçoca de pilão, mostrando assim a riqueza e a diversidade dessa cozinha tradicional.

A feira, com curadoria da pesquisadora Patrícia Moll, teve como objetivo reforçar o valor histórico e cultural da cozinha caipira, enfatizando seu papel na formação da identidade paulista. “Foi essa cozinha, construída a partir da roça e transformada por diferentes povos, que alimentou a cidade antes dela virar metrópole”, destacou Moll.

O desafio da valorização da comida caipira

A relação do paulistano com a cozinha caipira tem sido complexa e repleta de preconceitos. O termo “caipira” traz consigo conotações pejorativas, frequentemente associado a uma imagem de rusticidade. Francisco Montans, proprietário do Quente da Boca, comentou sobre a hesitação em adotar essa nomenclatura por causa do estigma que a cerca. A chef Mara Salles, à frente do restaurante Tordesilhas, concorda que o termo muitas vezes assusta e que a culinária caipira é constantemente mal interpretada como “comida bruta e malfeita”.

cozinha caipira

De acordo com a historiadora Viviane Soares Aguiar, que escreveu sobre a cozinha caipira, a cidade de São Paulo, ao buscar se afirmar como uma metrópole moderna, acabou por distanciar-se de suas raízes. Esse apagamento da cultura caipira vai na contramão de outras culturas regionais, que se manifestam de forma mais orgulhosa e deliberada. A narrativa em torno da cozinha caipira é complicada, visto que pratos típicos, como o feijão tropeiro e a canjiquinha, são aceitos e bem vistos quando rotulados como “comida mineira”, ressaltando a hipocrisia no tratamento cultural.

Recentemente, chefs como Marcelo Corrêa Bastos, coautor do livro “A Culinária Caipira da Paulistânia”, têm defendido a valorização da cozinha caipira, enfatizando que estes pratos vêm de uma rica cultura alimentar, que abrange uma vasta região do Brasil, incluindo partes de Minas Gerais, Paraná, Mato Grosso e Goiás.